Falta conscientização – entrevista concedida a Roberto Zaccaro, do Portal de Notícias PATISEG, por Andréa Nakane, Diretora da Mestres da Hospitalidade

Vital para a economia brasileira, o mercado de eventos sofre com o amadorismo e a insensibilidade dos gestores

 

No Brasil ainda prevalece a cultura reativa e não preventiva com relação a segurança, ou seja, primeiro espera-se acontecer algo para só depois tomar alguma providência, o que poderá ser tarde. A constatação é de Andrea Nakane, sócia-diretora da Mestres da Hospitalidade, cujo expertise é em inteligência estrategista em eventos corporativos, cerimonial e protocolo capacitação do talento humano na área da hospitalidade.

Com formação multidisciplinar, Andréa que também é autora da obra “Segurança em eventos – não dá para ficar sem!”, diz que muitas pessoas têm a percepção de que segurança é gasto e baseiam-se em históricos, tais como:  anteriormente eu apliquei verba na segurança e não precisei. Facilmente, elas se esquecem de fatalidades que poderiam ter sido evitadas como a ocorrida na boate Kiss, em 2013, em Santa Maria (RS), que registrou 242 mortos, “devido ao uso irracional de sinalizadores por integrantes de uma banda que se apresentava no local”, relembra. Neste sentido, Andréa questiona a falta é de uma fiscalização honesta, criteriosa e reforça há necessidade de maior conscientização no que diz respeito à segurança por parte dos organizadores profissionais de eventos. “Precisamos de profissionais comprometidos, proativos, com engajamento, não só com uma boa formação, mas sobretudo dotados de boa gestão de pessoas”, salienta.

Especificamente regendo a segurança privada e a orgânica há uma legislação – que mesmo obsoleta – rege o mercado, já que a classifica como uma profissão, demandando formação específica. De acordo com Andréa, está em tramitação no Congresso um projeto de lei para atualizar carga horária e conteúdo, entre outros atributos, visando melhorar a qualificação dos vigilantes. “Porém é imprescindível que esse grupo contratado também tenha treinamento específico sobre o evento, o que faz toda a diferença”, acredita. Ela também aponta questões até então pouco disseminadas e que hoje devem fazer pauta da segurança, tais como: atos terroristas, violência urbana e uso descontrolado de entorpecentes, entre outros.

No que se refere à legislação de segurança contra incêndio e pânico, eventos públicos, como espetáculos, feiras e assemelhados deverão ser regularizados, previamente, junto ao Corpo de Bombeiros. Em casos de adaptações no interior da edificação, essas devem ser acompanhadas por um responsável técnico, sendo obrigatória a emissão de documento de responsabilidade técnica (ART). Sobre o assunto, Andréa sugere uma análise do Decreto Estadual nº 56.819, de 2011, que dispõe sobre o Regulamento de Segurança contra Incêndio e Áreas de Risco do Estado de São Paulo e que revogou o Decreto Estadual nº 46.076/01. Já a Instrução Técnica nº 21/11 é a atual norma que estabelece os critérios para proteção por meio de extintores de incêndio. Todo evento temporário a ser realizado no Estado de São Paulo deve atender aos critérios estabelecidos na IT nº 01/2011. Ressalta-se que os eventos estão enquadrados como “atividades temporárias”, definidos na Instrução Técnica nº 01/2011.

A executiva evidencia que com a realização da Copa do Mundo no Brasil, alguns poucos legados se estabeleceram no universo dos eventos, como os Centro Integrado de Controle (CICs) que identifica a importância de ter todos os órgãos – relacionados ao acompanhamento do evento – estarem dispostos estrategicamente em um único espaço (realizando trocas e informações em tempo real, na busca de soluções e/ou realinhamento da organização) e dotado de apoio técnico e tático de monitoramento, por meios de canais de imagens e/ou outros meios de informação. “Essa iniciativa é um fomento da gestão pública e que não é utilizada somente para eventos, mas sim para toda a administração de um território, município ou região. Quando esse conceito se insere em eventos temos o Event Control Center (ECC), termo em inglês e que no Brasil recebeu o nome de Centro Integrado de Comando de Evento (CICE)”, descreve.

O CICE pode ser considerado o coração do evento, pois ele irá gerenciar por meio de representantes dos domínios presentes para a execução do planejamento previsto de todo o acontecimento especial, tendo a comunicação estabelecida diretamente entre esses diversos agentes, que propiciam agilidade na tomada de decisões e repasse de orientações diretamente das áreas envolvidas que, reunidas em um único espaço, integram-se e tornam-se uma única célula colaborativa, afinal, um evento se faz com os esforços de todos. O CICE tem como objetivo agilizar as soluções necessárias para que a política de riscos seja implantada de forma adequada e eficiente, garantindo um ambiente seguro e de bem-estar, por meio de medidas proativas e reativas. Esse modelo é adaptável a qualquer categoria, área de interesse, tipologia e dimensão do público.

 

 

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