Mestres da
Hospitalidade

AÇÕES E EVENTOS PERSONALIZADOS

CONFIRA
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Entra gestão e sai gestão e a atividade continua sendo tratada como atributo de conchavos políticos para atender as coligações realizadas na base do toma lá dá cá

Acompanhando a posse de inúmeros novos mandatários municipais no primeiro dia do ano novo celebrado temos a convicção que para o Turismo quase ou nada mudará.

Entra gestão e sai gestão e a atividade continua sendo tratada como atributo de conchavos políticos para atender as coligações realizadas na base do toma lá dá cá, esquecendo-se completamente do caráter estratégico que a pasta deveria ter para otimizar o potencial econômico que poderia trazer em sua correta e responsável implementação.

Em época de violenta recessão, muitas secretarias de turismo estão sendo ceifadas… certamente muitas que por tanto tempo inoperantes – por estarem apenas sustentando um cabide de cargos e funções comissionadas sem comprometimento e compreensão da importância de suas atribuições – serão quase como um verdadeiro alívio.

Mas na gíria digital #SQN – só que não – muitas estâncias estarão abrindo mão de uma real possibilidade de atrair e extrair dividendos para suas cidades, já que o Turismo tem essa peculiaridade nata, de forma até muito mais rápida que outros setores.

O turismo doméstico, com o bolso do brasileiro meio vazio, tem sido a saída para não eliminar as férias e viagens que fazem um bem danado a mente e a alma das pessoas e tornaram-se item revigorante para a saúde e qualidade de vida humana.

O quadro permanece inalterado, como se fosse algo já perpetuado, enraizado na ignorância pública.

Alguns municípios estão adotando a prática de constituir conselhos de próceres para colaborarem de forma voluntária com o pensamento estratégico do turismo das localidades. Sem verbas será o mesmo de convidar uma bateria de escola de samba para ficar passiva, sem tocar nada, em um esquenta de Carnaval.

Enfim, diante de tantas expectativas com relação ao novo ano, a máxima antiga que o Turismo no Brasil continua sendo tratado com desdém e total desconhecimento de sua grandeza econômica e social. O quadro permanece inalterado, como se fosse algo já perpetuado, enraizado na ignorância pública.

E para o trade turístico, só nos resta, continuar tirando água de pedra, sem contar com o famigerado apoio dos gestores da massa governamental, que em muitos casos até atrapalham a extenuante tarefa!!!

Enfim… que venha 2017, mas já pensando em 2019…. Será que então teremos esperanças em um novo quadro político para o Turismo Nacional?

Vamos aguardar, sacodindo como sempre a poeira e transpirando para que nosso setor não desça ainda mais ladeira abaixo da mediocridade de nossos governantes.

Por Andrea Nakane

Impossível não “chover no molhado”, mas é fato notório que o ano de 2016 não foi um marco no universo dos eventos brasileiros, mesmo sediando um dos maiores eventos mundiais, os Jogos Olímpicos.

Os savings, velhos conhecidos dos profissionais da área, intensificaram sua hegemonia para que projetos efetivamente fossem concretizados. Era isso ou nada! A adaptação e flexibilidade formaram a dupla da vez e quem demorou a acolhe-lás sentiu na pele e no seu fluxo de caixa uma queda acentuada.

Momentos assim acabam impulsionando uma onda de nostalgia… olhando o passado com certa inveja… afinal caímos posição no ranking da ICCA, temos visto cada vez um menor número de participantes em feiras e outros eventos de negócios. E há ainda àqueles que insistem em modelos de organização e planejamento de eventos ultrapassados, enquanto outros, pegaram carona em um odisséia tão high tech, que transformaram seus eventos em uma espécie de ambiente de ficção científica, repleto de efeitos especiais, que acabam por mascarar ou até mesmo minimizar toda sutileza e beleza do high touch.

Em uma sociedade líquida, onde quase nada se perpetua e quase tudo se descarta, os eventos não ficaram à margem dessa conjuntura.

Olhando assim… podemos até pensar… nossa que turbilhão… como foi difícil… agora, é a hora de respirar de forma menos ofegante e mais fluida.

Ledo engano… as projeções para 2017 não são otimistas… há pesquisas que demonstram que o segmento irá ter leve aquecimento… mas nada compensador a retomada anterior.

É hora de muito crowdsourcing, de evidenciar a força do coletivo, não de uma forma nada su generis… é o mega, é o grande, o médio, o pequeno, o micro… enfim, todos com o poder de suas vozes é que podem fazer a diferença e segurar as rédeas para ousar mais, de forma segura e estável.

2017 não será fácil, mas já temos experiências anteriores e nesse ardor, acumulamos resiliência, nos fortalecemos em encontrar o bom em vez do melhor, àqueles que investiram em sua educação continuada terão já uma largada diferenciada, com mais ritmo e soluções mais criativas, equilibrando, emoção e razão.

2016 ficará para trás, enquanto 2017 nos dará a oportunidade de um recomeço, ainda nada glorioso, mas necessário para chegar mais à frente, enxergando que nada será como antes, mas que será conforme o que semearmos… independente do terreno que temos para arar… afinal, terra é vida… e tendo os componentes e fertilizantes adequados ou possíveis, poderemos nos surpreender e acompanhar uma colheita de muita fartura e abundância.

Vamos aproveitar as festas de final de ano e agradecer o que passou… mesmo não sendo algo fantástico… e atrair boas vibrações para a jornada que breve começará e que logo também se encerrará… pois esse é o ciclo que nos emana e nos faz evoluir!

Um Natal de muita Fé e um Ano Novo de trabalho e desruptura, repleto da magia do encontrar o outro por meio da realização dos eventos!

Paris, após os atentados terroristas do ano passado, presenciou uma queda de 11% no número de visitantes, entre janeiro e outubro de 2016 e de imediato por reconhecer o valor do turismo para a economia do destino, já tratou de lançar 59 medidas, apresentadas pela prefeitura da Cidade Luz, no intuito de aumentar o número de visitantes em 2% ao ano e gerar um turismo “sustentável” a longo prazo, além de relançá-lo de forma conjuntural.

Batizado de “Esquema de desenvolvimento turístico 2017-2022”, o plano estratégico será proposto ao plenário da Prefeitura de Paris em novembro e já com previsão para início no primeiro trimestre do próximo ano.

Entre as táticas previstas no planejamento estratégico, que contou com a união do governo francês de ambas as esferas públicas e grandes comerciantes, estão uma melhor iluminação dos atrativos, um novo grande centro de recepção na Torre Eiffel e a promoção dos bairros menos turísticos, inclusive com a oficialização da futura “cidade da Gastronomia”, Rungis.

Os eventos também estão na mira do plano e a prefeitura mobiliza-se para realizar um grande acontecimento especial esportivo e intensificar as captações de congressos técnicos e científicos.

Com todo o abalo sofrido, Paris continua sendo o primeiro destino turístico do mundo e provavelmente terminará o ano de 2016 com cerca de 23,5 milhões de visitantes, que geram quase 524 mil empregos, só na região parisiense, que insere na economia local cerca de 40 bilhões de euros, segundo o responsável de Turismo da Prefeitura, Jean-François Martins.

E enquanto isso, em terras tupiniquins… continuamos a deslizar no amadorismo com que o segmento é tratado pela maioria dos gestores públicos e a apatia de ações que são realizadas na promoção turística do mosaico de ofertas disponíveis.

Entra governante, sai governante e o Turismo continua sendo alvo de manobras políticas de apadrinhamentos e manipulações orçamentárias, que com uma visão turva e irresponsável não colaboram – em nada – na valorização do setor, pelo contrário, só achincalham com nomeações esdruxulas e inábeis, transformando pastas, federais, estaduais e municipais em picadeiros de descasos e ultrajes.

A iniciativa privada até tenta, mas não consegue avançar, na falta de uma legitimidade uníssona e envolta em uma disputa vaidosa de falsos poderes, cuja a voz, mal é ouvida, ou se quer prestigiada, como relevante.

É impossível ficar calada frente a divulgação francesa. É um sentimento que mistura vergonha com inveja. Mas ao mesmo tempo é um regozijo de que é possível quando há pessoas responsáveis, altruísta e sobretudo comprometidas com o Turismo.

Lá foi assim… será que um dia também teremos esse protagonismo?

A esperança permanece…

Andrea Nakane é educadora, empreendedora e diretora do Mestres da Hospitalidade

Os eventos da atualidade preconizam a realização de ações de cunho de responsabilidade social com o objetivo de fomentar uma imagem contemporânea, que expressa preocupação, mas também uma atitude de fazer algo com relação à temática escolhida, vislumbrando ampliar na coletividade a reflexão e adesão a outras práticas colaborativas.

Porém, há espaços para uma maior participação das empresas organizadoras de eventos, não só como mentoras e executoras de projetos para seus contratantes, mas no investimento de atividades próprias, atemporais e de maior profundidade a cerca de resultados e boas práticas.

Há um ledo engano que ressalta ser preciso ter uma grande estrutura para movimentar experiências de responsabilidade social. Como na cadeia produtiva de eventos há diversos players é possível buscar aglutinar tais competências em prol de uma causa e/ou projeto específico em parceria.

Uma andorinha só não faz Verão, porém inúmeras tem a capacidade de revoar e reverberar com maior altivez e impacto no cenário que estão inseridas.

Para exemplificar tal dinâmica está o caso da microempresa Bolinhas Coloridas, que atua com locação de brinquedos, decoração de festas e barracas de A&B (algodão doce, pipoca, crepes, pizzas, fritas, etc.) e lidera uma ação social própria de promover mensalmente em um abrigo de menores carentes, uma completa festa de aniversário para aqueles que antes nem se quer comemoravam.

O projeto – batizado de Festa Infantil Solidária – identifica quem são os aniversariantes do mês, indaga a eles qual(is) tema(s) de sua preferência e no dia agendado com a administração promovem uma grande festa com direito à tudo, inclusive presentes que são solicitados e lembrancinhas para toda a garotada.

A empresária Bete Cristian Dias, da empresa Bolinhas Coloridas, conta que cada festa é uma emoção diferente e que se não contasse com o apoio de uma corrente do bem de doadores não seria possível esmeirar-se tanto para conseguir um resultado primoroso e feliz!

Ela lidera o movimento, mas a participação de todos é fundamental.

Muitas vezes pode assemelhar-se há algo simples, pequeno, porém de resultados plenos. Se todos contribuírem com uma singela parcela, ao final teremos – sem dúvida alguma – um mundo mais justo e pleno.

E você, OPC, o que anda fazendo nesse sentido?

Texto escrito por Andréa Nakane

Volunturismo, um mix de viagem de férias acopladas a um intenso intercâmbio cultural

Um novo estilo de viagem está ganhando escala por todo o mundo. Trata-se do volunturismo, um mix de viagem de férias acopladas a um intenso intercâmbio cultural com trabalho voluntário comunitário.

Inicialmente com maior adesão nos Estados Unidos e Europa, o volunturismo também ganhou adeptos no Brasil, fomentando vivências diferenciadas e muito ricas no que diz respeito a verdadeiras transformações de ambas as partes: quem faz e que recebe, demonstrando sua total sintonia com a teoria da dádiva, de Marcel Mauss, que enfatiza o tripé, dar, receber e retribuir, gerando um ciclo virtuoso de solidariedade, aprendizado e humanidade.

Com esse novo segmento, ainda em desenvolvimento, segundo a TRAM – Tourism Research and Marketing – circularam em 2015 cerca de 2 bilhões de dólares e já chegou a atingir 1, 6 milhões de turistas voluntários, geralmente mulheres entre 20 e 25 anos.

Porém não há faixa etária para sua realização, sendo possível até mesmo vivenciar essa experiência em família, com crianças e idosos, o que torna a atividade ainda mais emocionante.

As ações envolvidas são diversas, desde como o ensinar idiomas, contar histórias, organizar uma biblioteca, ajudar na construção de casas, enfim, são múltiplas as possibilidades de fazer o bem a quem precisa.

A futura RP, Samara Muniz, relatou que a experiência que viveu em agosto passado na África do Sul, foi algo transformador em sua vida.

As ações envolvidas são diversas, desde como o ensinar idiomas, contar histórias, organizar uma biblioteca, ajudar na construção de casas, enfim, são múltiplas as possibilidades de fazer o bem a quem precisa

“Vivenciar de perto uma realidade oposta da minha e ver o quanto as pessoas que você ajuda são gratas, é inexplicável. A ajuda aos meus olhos é simplória quando você sente tamanho amor.” afirma Samara.

Ela sempre questionou por que não conhecer um novo lugar, ao mesmo tempo, que pudesse oferecer algo em troca, de valor inestimável na vida de outras pessoas, que precisam tanto de assistência e acabou encontrando a sinergia perfeita com a prática do volunturismo.

Mas quem pensa que essas ações estejam vinculadas somente a experiências internacionais, está enganado.

Outra colega, também futura RP, Débora Mioto, deve a chance de realizar o volunturismo por meio de um projeto missionário de sua igreja – Metodista do Brasil – e esteve no município de Eldorado, SP.

“Acredito que o Volunturismo é uma ótima oportunidade para o crescimento do ser humano, pois é uma atividade que permite um contato mais próximo com uma dura realidade enfrentada por diversas famílias em nosso país e levar um pouco de esperança e alegria para essas pessoas e ao mesmo tempo também tive o privilégio de conhecer novos pontos turísticos que fazem parte da história do Estado de São Paulo, como a Caverna do Diabo que possui uma grande diversidade de fauna e flora”, testemunhou Débora.

Quem praticou o volunturismo promete repetir a dose, reafirmando ser totalmente possível, unir o útil ao agradável e voltar com a bagagem emocional repleta de aprendizados e com excesso de amor ao próximo!

Conheça mais o volunturismo e junte-se a essa corrente do bem contemporânea!

A trajetória da RIO 2016 – observada agora após seu encerramento – tem total sinergia com Usain Bolt, um dos nomes mais emblemáticos da XXXI edição dos Jogos Olímpicos da idade moderna, já que sua velocidade galopante deixou todos atônitos e com gosto de quero mais!

Foram sete anos desde a captação do evento até o ano de sua realização. A cidade do Rio de Janeiro transformou-se em um canteiro de obras a céu aberto, com inúmeras demandas, não só de revitalização, mas também de alinhamentos com a modernidade, sobretudo na área de mobilidade e nas exigências de equipamentos para as competições.

Questões de vulnerabilidade foram tratadas de forma paliativa, mas, eficiente em seu resultado final, como é o caso da segurança e saúde pública.

A autoestima carioca ganhou projeção tanto no cenário nacional e internacional, o engajamento da população foi notório e cativou delegações de todos os cantos do mundo.

Lógico que inúmeras falhas ocorreram, mas nada tão depreciativo, a ponto de macular a imagem dos primeiros jogos olímpicos e paraolímpicos da América do Sul.

A sensação de ninho vazio assola a cidade, nesse momento, após o intenso envolvimento nos últimos anos com a realização dos megaeventos, especialmente esportivos. A década de ouro chegou ao seu fim.

E a pergunta roda… e agora, RIO?

Não podemos deixar a peteca cair… a imagem da cidade está em alta e precisa ser tratada com toda a sagacidade dos órgãos públicos, sobretudo com relação as estratégias para alavancar o turismo e, o enaltecimento de sua vocação festiva, para realizar eventos das mais diversas tipologias e grandezas.

Nunca o Rio de Janeiro foi alvo de tanta mídia espontânea e testemunho positivo de seus visitantes. Deixar isso passar em branco é mais que uma visão míope… é uma verdadeira irresponsabilidade.

A conta de todos os investimentos começará, agora, a ser sentida nos bolsos de todos os brasileiros e fomentar novas bases de receitas será vital para minimizar esses impactos de ordem financeira.

Ficar deitado em um podium esplêndido, vivendo melancolicamente de uma excelente passagem recente de sua história, não será nada benéfico e nem saudável.

É preciso manter a chama acesa, tendo determinação para sair na frente de outros players e ganhar espaço na mente dos visitantes e investidores prospects.

Um trabalho estruturado de Relações Públicas é vital, assim como, manter as parcerias em prol da boa ordem e gestão da cidade.

O aquecimento foi estimulado, condicionamento para realizar eventos, mais uma vez, foi ovacionado, o espírito de irmandade enaltecido e essa composição, sem dúvida alguma, é o legado mais importante e que precisa ser lustrado a cada novo dia… afinal um ciclo de outro encerrou-se e agora é hora de iniciar um outro ciclo de sucesso… Depende de todos nós!

A XXXI edição dos Jogos Olímpicos de Verão foi finalizada no último domingo, com uma cerimônia que ressaltou toda a brasilidade da nação, misturando ritmos, cores e raças, demonstrando toda a pluralidade de riquezas patrimoniais, muito além de atrativos naturais do Brasil, já tão externados mundo afora.

O megaevento reuniu em seus dezesseis dias de competições 205 países, em 42 modalidades esportivas diferentes, muitas histórias de superação, determinação e resiliência.

Foram distribuídas cerca de 983 medalhas e os próprios atletas brasileiros conseguiram pontuar uma média histórica de colocações no pódio, extravasando, ainda mais, o orgulho da torcida brasileira.

Medalha da Cidade

Porém há uma medalha que ainda precisa ser entregue e talvez seja a mais importante de todas, pois irá referenciar o resultado da união de mais de 200 milhões de brasileiros, com ênfase aos mais de seis milhões de cariocas, que de alguma forma contribuíram para a realização dos jogos icônicos, conforme pensamento de Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional.

A medalha que falta ser entregue tem como destino o peito da cidade que acolheu a primeira Olimpíada da América do Sul e entrou para a história dos jogos modernos: o Rio de Janeiro.

Cidade de contrastes mil, de uma beleza incomparável, que foi abençoada – de forma divina- com paisagens naturais de tirar o fôlego e com diversos atrativos culturais representativos de sua importância, desde a época em que abrigou a família real, no início do século XIX e vivenciou uma metamorfose urbana sem precedentes, alinhando-se com as cidades-divas do mundo e projetando-se como uma metrópole cosmopolita, que mesmo após o deslocamento de sua configuração como capital do Brasil não caiu no ostracismo e continuou ocupando seu lugar, já cravado no coração de todos.

Mal tratada por uma corja de políticos, sem eira e nem beira, a cidade manteve-se altiva e exuberante, mesmo com gestões fraudulentas e irresponsáveis.

Envolta em cenas de barbárie promovida pela violência incontrolável, a cidade manteve-se serena e seu povo, com um espírito leve e batalhador, continuava trilhando sua história, tendo a certeza de que não estavam sós…afinal não é qualquer espaço geográfico, que tem a imagem do Cristo Redentor de braços abertos, e independente da crença, abraça a todos, sendo até mesmo reconhecido como uma das novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno.

Quando recebeu a honraria de sediar os jogos olímpicos, em 2009 -o RJ, já tinha investido em quatro tentativas anteriores e sem sucesso -, demonstrava sua gana de chegar lá. E chegou, mesmo sendo considerada como uma espécie de azarão entre as demais candidaturas, representadas por Chicago (EUA), Madri (Espanha) e Tóquio (Japão).

Equipamentos novos

A cidade do RJ então transformou-se em um canteiro de obras para concretizar o audacioso projeto urbanístico e de mobilidade. Alguns equipamentos foram aproveitados do Pan 2007 e até mesmo da Copa do Mundo de 2014, porém muitas obras tiveram que sair do zero e em diversas ocasiões o carioca teve seu humor alterado… já que os engarrafamentos monstruosos tornaram-se companhia constante, sem direito a recusa.

Foram muitos os temores, desde a crise econômica, oriunda do estado e que poderia chegar ao município, até a epidemia de dengue e zika, que ganharam manchetes internacionais.

A insegurança mantinha-se na crista da onda e com as ameaças terroristas- cada vez mais eloquentes – o esquema de conclamar as forças armadas, prática comum desde 1992, somado a cooperação internacional, resultou no maior plano de segurança esquematizado para um evento no país.

Um tempo de paz reinou, se não de forma absoluta, foi muito próxima ao que almejamos, deixando um clima menos assustador e mais tranquilo.

“Carioca way of life”

O povo nativo da cidade com sua energia hospitaleira entrou no clima de festa e como excelente anfitrião que é, soube conviver com todos, dividindo seus espaços, suas alegrias e contagiando quem chegasse com seu “carioca way of life.”

Fez festa bonita na abertura, participou ativamente dos jogos, não só no parque olímpico, mas nos demais espaços montados, de forma democrática, para todos receber, sem preconceito, com total acessibilidade. Torceu de forma passional, ficou emocionado com as imagens de sua casa sendo apresentadas diariamente em todos os continentes.

Não se fez de rogado quando sua beleza foi compartilhada por todos e inchou o peito para dizer que mora na cidade maravilhosa, e que mesmo com tantas mazelas, que ainda precisa solucionar, fez questão de demonstrar que acredita no poder de sua transformação e que o seu futuro é agora.

Apesar dos pesares, viu sua imagem ser achincalhada por um jornalista deselegante que criticou uma das suas maiores lovemarks, o biscoito Globo e logo depois deu a volta por cima, pois a mesma reportagem incitou um número maior de visitantes a degustarem tal simplória iguaria carioca e até mesmo se apaixonarem por ela!

Autoestima

Um sentimento de vergonha, inicialmente, atingiu a cidade, quando o episódio de quatro nadadores norte-americanos espalharam uma história vitimada de violência que teriam sido alvos… porém, logo depois, desmascarados por órgãos públicos, também citados pelos atletas-pinóquios, como vilões dessa desonesta atitude, o alívio foi geral e rapidamente o humor novamente imperou, resgatando o clima festivo.

Muito se fala em legados da RIO 2016, mas o principal deles está relacionado a autoestima de seu povo, do orgulho que estamos sentindo de ter superado todas as adversidades e obstáculos para entregar ao mundo um evento de qualidade.

Lógico que falhas existiram, erros graxos foram cometidos, no que diz respeito a organização e planejamento, mas nada que pudesse comprometer drasticamente o saldo final.

Os esforços foram percebidos por todos, até mesmo pelos incrédulos e possibilitaram que o país atingisse um patamar de credibilidade e admiração mundial.

E o espetáculo não pode parar… logo, logo temos os jogos paraolímpicos e vamos novamente oferecer nosso melhor, afinal, o Rio de Janeiro continua sendo o que sempre foi: uma cidade maravilhosa, que supera todas as adversidades e hoje, mais que nunca, tem seus encantos reconhecidos por todo o mundo, fato que nos ajudará a promover o fomento de novos investimentos e na ampliação do fluxo de turistas, afinal não se encontra uma cidade medalhista de ouro facilmente no mapa mundi e nós temos o privilégio de tê-la aqui, em nossa morada.

Uma noite festiva, repleta de simplicidade e reflexões vitais para a vida humana, envolta na alegria e gingado do povo brasileiro, enaltecendo a prática esportiva como elo propagador de uma cultura de paz.

Em poucas palavras, assim podemos resumir o que foi a solenidade de abertura da XXXI edição dos jogos olímpicos, no emblemático Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro, que demonstrou para uma audiência global, estimada de mais de três bilhões de pessoas, que apesar de todos os pesares, oriundos de uma situação política e econômica caótica, a potencialidade de saber encantar e celebrar a vida e suas vicissitudes é algo genético e por que não dizer, divino, que também compõem o DNA brasileiro.

A suntuosidade de fantasias e cenários requintados cedeu lugar ao otimizado uso tecnológico, com destaque para a projeção mapeada, desenhando mosaicos deslumbrantes, em doses equilibradas de apoio a descontração, musicalidade e ritmo contagiante, tão tupiniquins, que ganharam cores, muito além do verde e amarelo, declarando, assim toda a sinergia com a diversidade, tão presente na constituição da sociedade brasileira e um dos pilares temáticos de toda a cerimônia.

O simbolismo da gambiarra, explicado pelo comitê diretivo artístico do projeto, associou-se perfeitamente a tônica da sustentabilidade, em um realinhamento, que a maioria dos eventos da atualidade está vivendo, no qual a humanização ressurge em sua plenitude, avançando pela aridez do egocentrismo, buscando maior participação e conscientização de que todos nós somos responsáveis pela continuidade da própria humanidade.

A introdução de uma vertente social reflexiva em um momento de pura magia e ludicidade confirmou que uma cultura do entretenimento que seja calcada nesses atributos tende a provocar, também, comportamentos sociais cunhados em uma maior postura positiva e abertura mental para possíveis rupturas de paradigmas e convenções impostas ou ultrapassadas. E se conseguirmos isso… já somos vitoriosos, sem ao menos termos disputado nenhuma competição de medalhas.

Alguns podem até chamar esse momento de alerta social como um clichê vazio, já que tentamos “puxar a orelha” do mundo… mas nós mesmos, não fizemos a lição de casa e temos a Baía de Guanabara como prova irrefutável de nossa incompetência nesse comprometimento. Mas a mensagem era para todos, inclusive para nós mesmos!

Os recursos escassos, nitidamente percebidos, no roteiro da cerimônia, acabaram sendo elementos colaborativos para reforçar essa mensagem vinculada à união dos povos,para juntos enfrentar os desafios contemporâneos que atingem a todos, sem exceção e que demandam realinhamentos, proporcionando uma nova ordem evolutiva.

A inclusão do cenário natural da cidade, como parte do espetáculo, sendo sobrevoado por uma réplica computadorizada do 14 Bis, foi algo formidável, que certamente será muito difícil de ser esquecido, pois a riqueza imagética das belezas do Rio de Janeiro tira realmente o fôlego e impressiona pela sua magnitude fenomenal.

A proatividade e beleza da iniciativa das sementes plantadas em tubetes por todos os atletas, que formarão uma floresta futura, além da presença, sempre cativante e tocante, das crianças, junto à entrada das delegações, como representantes da esperança no amanhã, foram também pontos altos do espetáculo.

O público presente no Maracanã também pode ser considerado uma atração à parte da cerimônia, já que interagiram com muito entusiasmo e chegaram a fazer um show a parte cantando à capela à música de Jorge Ben Jor, que colocou todos para dançar, transformando o templo sagrado do futebol, em uma grande balada internacional, colorida e democrática, cada um em sua cadência, no compasso do ritmo brasileiro.

É lógico que não existiu perfeição, quem é da área de eventos sabe que isso não é real, porém há evidências de pontos que teriam dito uma necessidade maior de pesquisa e discussões, entre os quais: uma maior representatividade de imigrantes que ajudaram a construir a nação – restringiram-se aos colonizadores, africanos, árabes e orientais – mudanças bruscas na evolução do roteiro – poderiam ter sido mais suaves e fluídas – a formatação de uma linha de receptivo aos atletas mais impactante e animada – pois a que tivemos deixou muito a desejar em termos de figurinos e empolgação – a bicicleta e sua referência de vida saudável como meio indicador das delegações foi algo bacana, mas os adereços exagerados e toscos montados sobre as mesmas, surtiu um efeito de impacto visual duvidoso e no momento da apresentação da riqueza das festas populares, os quadrantes destinados aos bate-bolas e maracatu foram irrisórios frente à grandeza e pluralidade existente no Brasil, faltaram a brasilidade das festas juninas, do frevo, do sertanejo, do fandango, do forró, do carimbo… são tantas que não foram lembradas.

A inovação da duplicidade da pira olímpica assinou embaixo do requisito de inclusão, já que pela primeira vez na história dos jogos, há duas estruturas que receberam a chama olímpica, sendo uma aberta em espaço público, democratizando sua contemplação e espalhando o espírito de celebração para todos, sem distinção.

Ter o hino nacional interpretado com a elegância distinta de Paulinho da Viola, prócer do samba, logo no início da abertura, foi a sinalização de que teríamos momentos de incomparável leveza artística, culturalmente lapidados pela trajetória de uma nação, que de tão jovem, ainda tem passos pouco firmes, cambaleantes, mas que apresenta um vigor, uma resiliência, uma inebriante alegria, que contagia e inspira. E que independente de todas as dificuldades não se intimida, parte para cima, sem medo de ser feliz e de fazer feliz quem carrega no peito, a chama do orgulho de ser brasileiro, que transforma tão pouco em muito, pois tem como orientação natural simplesmente celebrar a dádiva de viver.

Nossos corações pulsaram mais freneticamente nessa noite, lágrimas transpareceram a emoção despertada e o mundo, pelo menos em 03 horas, percebeu que nossa maior riqueza é o próprio povo brasileiro, que o Cristo Redentor não é o único de braços abertos e que para fazer uma apoteose é preciso ser somente… humano, em sua essência cativante, repleta de magnanimidade e dignidade.

E vamos em frente, pois o evento acabou de começar e a RIO 2016 já está escrevendo o seu capítulo na história dos Jogos Olímpicos da modernidade.